A primeira bandeira oficial do município de Tianguá
- Iraldo Melo

- há 3 dias
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Muito antes da bandeira que hoje representa Tianguá tremular em escolas, repartições públicas e solenidades oficiais, o município possuía um pavilhão completamente diferente.
Poucos moradores sabem disso. Menos pessoas ainda conhecem a história de sua criação, quem a desenhou ou o motivo pelo qual ela possuía aquele curioso desenho que lembrava o próprio mapa da cidade.
Durante décadas, esse importante capítulo da história local permaneceu praticamente esquecido, preservado apenas em antigas leis municipais, fotografias raras e na memória de alguns historiadores.
Foi no dia 7 de setembro de 1969, data emblemática para o Brasil por marcar a Independência Nacional, que o então prefeito João Nunes de Menezes sancionou a Lei Municipal nº 48/1969, instituindo oficialmente a primeira bandeira do Município de Tianguá.
Não se tratava apenas da criação de um símbolo cívico. Aquele ato representava o desejo de afirmar a identidade de uma cidade que crescia, consolidava sua administração pública e buscava fortalecer o sentimento de pertencimento de sua população.
Ao contrário do que muitos imaginam, a bandeira não foi concebida apenas com preocupações estéticas. Seu desenho possuía um profundo significado geográfico e administrativo.
A própria lei descreve minuciosamente sua composição: um campo verde, outro em amarelo-ouro, o desenho do território do município, duas faixas representando as principais rodovias que cruzavam Tianguá e a identificação da sede municipal e dos distritos de Arapá, Coroataí, Pindoguaba e Tabainha.
Em outras palavras, a bandeira funcionava como uma verdadeira representação cartográfica do município, traduzindo em formas e cores a organização territorial existente na época.
Quem observa fotografias antigas percebe imediatamente que aquela bandeira fugia do padrão tradicional adotado pela maioria dos municípios brasileiros.
Em vez de escudos complexos ou brasões centralizados, ela privilegiava uma linguagem visual moderna para a época, destacando o mapa de Tianguá e as rodovias que impulsionavam seu desenvolvimento. Era um símbolo que dialogava diretamente com a realidade do município no final da década de 1960.
A própria legislação revela outro detalhe que, por muito tempo, permaneceu desconhecido: o autor da bandeira. O artigo 3º da Lei nº 48/1969 autorizou a abertura de crédito para premiar o responsável pelo desenho escolhido.
O nome registrado no texto legal é Gerardo de Vasconcelos, que recebeu Cr$ 200,00 pela criação da bandeira.
Além disso, o Município destinou outros Cr$ 300,00 para a confecção dos exemplares oficiais, totalizando um investimento de Cr$ 500,00.
Embora hoje o valor pareça modesto, à época representava um reconhecimento oficial ao trabalho artístico que passaria a integrar a história de Tianguá.
A lei também estabeleceu que o novo pavilhão deveria ser hasteado nos prédios públicos, nas escolas municipais, durante feriados, datas cívicas e cerimônias oficiais. Não era apenas um ornamento. A bandeira passava a representar juridicamente o Município, simbolizando sua autonomia e sua identidade perante a população e outras instituições públicas. Tanto era assim que o legislador previu punições para aqueles que viessem a desrespeitar o pavilhão oficial municipal, demonstrando a importância atribuída ao novo símbolo.
Décadas depois, o historiador tianguaense João Bosco Gaspar ajudaria a preservar a memória dessa bandeira ao descrevê-la de forma simples e precisa: segundo ele:
"era basicamente o mapa do município cortado por duas rodovias, acompanhado de estrelas que representavam os distritos existentes, além de uma estrela destinada à sede municipal".
Essa explicação permite compreender aquilo que o texto jurídico de 1969 procurava traduzir em linguagem técnica: a bandeira era, acima de tudo, um retrato da própria Tianguá.
Outra preciosidade histórica é uma fotografia rara, preservada graças ao trabalho deste mesmo historiador. Nela, a antiga bandeira aparece sendo hasteada durante a gestão do prefeito José Evangelista de Souza, conhecido como Zezé, que administrou o município entre 1977 e 1983. A imagem permite visualizar um símbolo que hoje praticamente desapareceu da memória coletiva, mas que durante anos representou oficialmente Tianguá em atos públicos e solenidades cívicas.

Passados mais de cinquenta anos, a Lei Municipal nº 48/1969 continua sendo muito mais do que um antigo diploma legal arquivado nos registros da Prefeitura. Ela é um documento histórico que revela como Tianguá desejava ser vista por seus habitantes e pelas futuras gerações. Em poucas páginas, a legislação preservou informações que talvez se perdessem para sempre: quem criou a bandeira, quanto custou sua elaboração, quais eram seus elementos visuais e qual deveria ser sua utilização.
Conhecer essa história é compreender que os símbolos oficiais não surgem por acaso. Eles são fruto de escolhas políticas, culturais e históricas que refletem o momento vivido por uma comunidade.
A primeira bandeira oficial de Tianguá foi mais do que um pedaço de tecido colorido: ela foi a materialização da identidade de um município em transformação, um retrato de sua geografia, de seus distritos e de sua visão de futuro.
Resgatar essa memória é também reconhecer a importância de preservar os documentos públicos, as fotografias antigas e as leis municipais que contam a trajetória da cidade. Afinal, a história de Tianguá não está escrita apenas nos livros ou nos monumentos. Ela também está registrada em seus símbolos, e poucos são tão representativos quanto a primeira bandeira oficial instituída pela Lei Municipal nº 48, de 7 de setembro de 1969, um verdadeiro marco na construção da identidade institucional do município.




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